Quem sou

Como ensino,  lições de valor.

Olá meu nome é Clodoaldo, para nos conhecermos um pouco mais quero compartilhar a minha história e como cheguei até a educação financeira. Oferecer educação financeira aos filhos é mais do que ensiná-los a lidar com o dinheiro. É ajudá-los a serem adultos mais responsáveis, conscientes e capazes de realizar seus sonhos.

Texto: Françoise Terzian // Fotos: Lucas Lima, Cristiano Tavares Mariz e Alexia Santi

Lições de valor

Clodoaldo com a família: educação financeira para todos alunos, inclusive os filhos.

O poder do cofrinho

Quando o paulistano Clodoaldo José da Silva, hoje com 40 anos, sofreu um acidente jogando bola, em 2009, e rompeu o tendão de aquiles, sua vida inteira começou a se transformar. Funcionário da área de manutenção de uma fabricante de impressoras e pai de três filhos, ele se viu impedido de trabalhar por 10 meses. A família passou a ser sustentada com a indenização do INSS e a renda da esposa, Josélia, dona  de uma pequena papelaria.

Com o orçamento apertado, Clodoaldo decidiu fazer um curso de educação financeira. Acabou mudando de profissão. Hoje é educador do Instituto DSOP (Diagnosticar, Sonhar, Orçar, Poupar) e repassa as lições que aprendeu não só a seus alunos, mas também a seus filhos: Eric, de 14 anos, Larissa, de 11, e Letícia, de 10. Os três são incentivados a poupar 50% da mesada para realizar sonhos a longo prazo. “É importante ajudar a estabelecer metas e as estratégias para chegar lá. Assim, mostramos à criança que, mesmo que demore, ela vai conseguir aquilo que deseja”, explica Clodoaldo.

A filha mais nova poupou durante um ano, com a ajuda  do cofrinho dado pelo pai, e juntou 80 reais em moedas para comprar uma coleção de livros da Barbie. Já Larissa, a mais velha, conseguiu economizar 130 reais no mesmo período, superando em muito sua meta inicial, que era de 50 reais. Comprou um tênis, um livro e ainda sobrou dinheiro para a lanchonete.

Faça você também 
O cofrinho é ótimo para ensinar seu filho a poupar e planejar. Ajude-o a estipular um prazo e uma meta a ser acumulada. E dê o exemplo: abra uma poupança e alimente-a com pequenos depósitos, para que ele possa usufruir quando for maior de idade.

Você pode achar ou não que dinheiro traz felicidade. Mas, por mais que seja desapegado das riquezas materiais, não pode negar: lidamos diariamente com notas, moedas e cartões. E dependemos desses recursos para sobreviver e realizar nossos projetos de vida. Sendo assim, fica fácil concluir: é impossível ser um bom pai ou mãe sem incluir na educação dos filhos uma boa dose de lições financeiras.

A primeira dúvida costuma ser: quando começar? “Por volta dos 3 anos, a criança percebe que é preciso dinheiro para comprar coisas”, diz Alexandre Damiani, diretor executivo do Instituto DSOP (Diagnosticar, Sonhar, Orçar, Poupar) de Educação Financeira. Desde então, alguns conceitos já podem ser treinados. E o melhor jeito de ensinar é sempre pelo exemplo. “De nada adianta falar que é preciso economizar e sair gastando no shopping ou então pedir um monte de comida no restaurante e deixar de lado”, avisa a jornalista Patricia Broggi, autora do livro Falando de Grana. “São sinais contrários que só irão confundir a cabeça da criança”, completa.

Quando os pequenos têm necessidade de fazer seus primeiros gastos, como o lanche na escola, os especialistas sugerem que seja instituída a mesada, ou semanada. “É importante ter um dia fixo para pagá-la. Assim, a criança pode planejar, poupar, fazer escolhas”, diz Patricia. Nem sempre essas opções serão as mais corretas, mas isso também faz parte do aprendizado. Os pais devem mostrar que, se gastar tudo de uma vez, não sobrará nada até o próximo recebimento. Com o tempo, a prática pode resultar não só em aprendizado para os filhos, como em economia para a família. “Antes de instituir a mesada, eu gastava cerca de 350 reais por mês com minha filha”, conta Alexandre Damiani. “Hoje, eu dou 250, e é suficiente, pois, como o dinheiro é dela, ela valoriza mais. Chega até a levar marmita na escola para poupar”, conta.

Ensinar a juntar recursos para realizar sonhos é uma das lições mais importantes. “Devemos nos reunir com as crianças e traçar projetos de curto (até 12 meses), médio (até 10 anos) e longo prazo (acima de 10 anos). E mostrar que é preciso poupar para cumpri-los”, afirma Alexandre. Para isso, o cofrinho é um ótimo instrumento. “Ele ajuda a mostrar que a criança pode ter aquilo que quer, mas nem sempre no momento em que deseja”, explica o educador Reinaldo Domingos, também do Instituto DSOP.

Num país como o nosso, em que mais de 63% das famílias estão endividadas (segundo dados de julho deste ano, da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo), ensinar os filhos a lidar com o dinheiro é mais do que colaborar para seu futuro individual: é ajudar a construir uma nação mais consciente.
Livro: Terapia Financeira, de Reinaldo Domingos, editora DSOP.
Você tem um jeito bacana de ensinar algo aos seus filhos? Conte pra gente!

Fonte: http://www.revistaporexemplo.com.br/edicao/licoes-de-valor.php

 

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